Educar a Juventude Rural para um Futuro Mais Forte
Por meio dos centros de formação agrícola CFAR (Centro de Formação Agrícola e Rural) e CIRA (Centro de Incubação Rural e Agrícola) na Costa do Marfim, a Louis Dreyfus Foundation oferece aos jovens de áreas rurais a chance de construir um futuro promissor dentro de suas comunidades, em vez de abandoná-las.
O CFAR, localizado na aldeia de Niofoin, na região de Poro, no norte da Costa do Marfim, oferece um programa agrícola prático de dois anos, que combina aulas teóricas com experiências práticas. Os estudantes adquirem competências técnicas e empreendedoras necessárias para estabelecer produções agrícolas viáveis e desenvolver meios de subsistência resilientes.
O CIRA oferece um programa de seis meses dedicado à experimentação e à agricultura sustentável em Aboisso, na região de Sud Comoé. Os participantes aprendem técnicas regenerativas adequadas à região produtora de óleo de palma — incluindo técnicas de agrofloresta, fertilizantes naturais e culturas de cobertura.
Desde a criação destes centros, mais de 150 jovens foram formados no CFAR e mais de 110 no CIRA. O apoio pós-formação inclui consultoria agrícola, conexões com redes locais e fornecimento de pequenos equipamentos e materiais iniciais — ferramentas essenciais para ajudar os recém-formados a estabelecerem suas próprias produções agrícolas.
Atualmente, 183 jovens continuam ativos na agricultura e conseguiram criar as suas próprias fazendas. Conheça algumas das suas histórias abaixo.
Bayoko Aly
Korhogo, região de Poro, Costa do Marfim

Aly deixou a escola cedo, mas encontrou o seu caminho no CFAR. Hoje, ele gerencia duas fazendas de aves, emprega três pessoas e diversifica as suas atividades investindo em transporte com dois triciclos e uma loja de transferência de dinheiro pelo celular. A sua competência técnica faz dele um consultor requisitado em projetos agrícolas, e agora ele orienta novos estudantes do CFAR.
“Graças à formação do CFAR, não consigo imaginar fazer outra coisa além de agricultura. O conhecimento que adquiri me permitiu alcançar além das minhas expectativas.”
Sanogo Awa
Boundiali, região de Bagoué, Costa do Marfim

A jornada de Awa começou após deixar a escola no 9.º ano. Com o apoio do CFAR e da assistência pós-formação, ela ampliou o seu negócio avícola para três grandes pavilhões que abrigam milhares de aves. Hoje, trabalha ao lado do marido, combinando avicultura com horticultura, e emprega quatro pessoas.
“O CFAR deu-me a confiança para realizar os meus sonhos. Agora tenho as ferramentas para concretizar qualquer projeto.”
Silue Geoffroy
Nadolovogo, região de Poro, Costa do Marfim


Geoffroy transformou a modesta fazenda da família numa empresa próspera. Melhorou as práticas de criação de suínos, introduziu serviços de vacinação para aves e investiu em equipamentos para expandir suas operações. Atualmente, é uma referência na sua comunidade e um mentor para os estudantes do CFAR.
“Com minha atividade, mudei meu estilo de vida, comprei uma motocicleta e alcancei meus objetivos. Agora posso evoluir!”
Bernard Towa Kadjo
Ayamé, região de Sud Comoé, Costa do Marfim

Aos 32 anos, Bernard cultiva pimenta Big Sun, quiabo e alface numa área de um hectare. A formação no CIRA ajudou-o a dominar práticas agroecológicas que aumentaram sua produtividade e reforçaram suas competências técnicas. Ele pretende expandir para a avicultura e a criação de suínos, visualizando sua fazenda como um futuro centro de formação e estágio para jovens apaixonados por agroecologia.
“O apoio recebido nos permitiu melhorar nossos conhecimentos e competências… Acreditamos que vamos conseguir, porque para nós, querer é poder!”
Jacques Salomon Assahoue
Baffia, região de Sud Comoé, Costa do Marfim

Jacques gere uma fazenda diversificada combinando dendezeiro (4 ha), cacau (2,5 ha), pimenta (1 ha) e criação de animais (700 aves e 15 ovinos). Por meio da formação no CIRA, adotou práticas regenerativas como produção de defensores biológicos e compostagem com estrume de aves e cachos vazios de palma. Ele também acolheu formandos do CIRA para estágios, contribuindo para o fortalecimento do aprendizado comunitário. Seu objetivo a longo prazo é tornar-se um grande agricultor orgânico e transformar sua fazenda num centro de aprendizado agroecológico.
“A nossa fertilização não deve focar apenas na produção, mas também na vida do solo: a terra nunca nos trai.”
O impacto do CFAR e do CIRA vai muito além dos seus formandos. Ex-estudantes tornam-se líderes comunitários, compartilhando boas práticas agrícolas, orientando outros produtores e construindo redes locais de conhecimento. Este sistema de transmissão fortalece a segurança alimentar, estimula a produtividade e promove a coesão social.
Ao capacitar os jovens, ambos os centros contribuem para reduzir o êxodo rural, dinamizar as economias locais e construir comunidades mais resilientes. Aqui, a educação é mais do que uma transformação individual — é uma força motriz para o progresso coletivo.